OOoCon2008 - Uma aventura na China - parte III
Começamos o segundo dia do OpenOffice.org Conference 2008, em Beijing - China. Depois de uma noite que poderia ter durado mais (é incrível como uma mudança de fuso-horário causa sono), chegamos na Universidade de Pequim e fomos à busca de café. É incrível ver tanta gente, tantas coisas tão diferentes e ver que eles não têm o costume de tomar CAFÉ! Nem mesmo a gente que trabalha com informática! "Isto é INCRÍVEL!!!"
Brincadeiras, a parte, perguntamos para a equipe de suporte do evento, onde seria possível encontrar estes "produtos exóticos", como café e chocolate, e nos comentaram que havia um pequeno mercado dentro da Universidade, no setor residencial. Conversei com o Jesus, de Barcelona - Espanha, e fomos até lá. No meio do caminho encontramos Frdrich Strba, sueco que trabalha na Novell e está fazendo um trabalho incrível nos filtros do OOo para formatos. Indo para o mercado, outra coisa nos chamou a atenção: todos bebiam algo como leite em um copo plástico tapado, espetado com um canudo. Parecia ser quente. Quando chegamos ao mercado, havia uma banca do lado de fora vendendo o tal copo plástico já aquecido. Jesus comprou e provou. Era leite de soja. Ao final, ele tirou nossa foto e voltamos para o evento.
Voltando para o prédio do evento, busquei a linha do programa que iria seguir. A programação estava muito interessante e optei por acompanhar The present and future of Pootle, Can XLIFF facilitate the process of localizing OpenOffice?, Complex Text Layout Issues with examples from Myanmar, BrOffice.org Zine - YOUR OpenOffice.org fanzine around the world, Proposal: Regional Groups, IBM Lotus Symphony: Worldwide IBM internal deployment Best Practices e Community Council Question & Answer.
Na apresentação sobre o Pootle, com Wynand Winterbach, da equipe de desenvolvimento, pude acompanhar a evolução FANTÁSTICA deste projeto e os planos futuros. Para quem não sabe, o projeto surgiu quando a equipe de tradução da África do Sul precisava uma ferramenta para tradução e surgiu o Translate Toolkit, que inclusive usamos no BrOffice.org e Projeto Mozilla por anos. Na seqüência tivemos a apresentação do Javier Sola, falando sobre o uso de XLIFF para tradução. Para quem estuda engenharia de localização, como tivemos que estudar para traduzir o BrOffice.org, sabe o quanto utilizar esta tecnologia pode facilitar nossa vida. Sobre a apresentação dos leiautes complexos para Myanmar, fiquei por ali mesmo, pois minha apresentação seria a próxima. Foi interessante ver a complexidade de idiomas que o homem conseguiu criar durante sua história e como estamos conseguindo resolver estes problemas num único lugar: dentro do computador.
Por fim, chega a minha vez de apresentar BrOffice.org Zine - YOUR OpenOffice.org fanzine around the world, onde busco trazer nossa experiência na produção de uma revista sobre BrOffice.org/ OpenOffice.org e ODF. Não havia muita gente, mas os que estavam ali se mostraram muito interessados no nosso trabalho. Em outro momento do evento, soube que o time alemão tem um projeto similar. A diferença do projeto deles é que produziram material, conseguiram uma parceria com uma editora e estão gerando versões impressas.
Voltando à palestra, comecei falando de toda a empolgação de se fazer uma revista, sobre o que tivemos que estudar, analisar, descobrir, para então alguém perguntar: "Para que estamos fazendo isto?", isto é, sobre o incrível e caótico mecanismo que temos de começar projetos e levá-los a frente rapidamente, trazendo uma capacidade organizacional ao caos que não se vê com facilidade em outros movimentos fora do software livre. Para a apresentação, após levantar este curioso tópico, inverti a ordem cronológica dos fatos para uma ordem didática, explanando o que já fizemos, como fizemos e por onde podemos ir.
Ao final, as pessoas que se encontravam por ali acharam muito interessante os nossos trabalhos, me lembrando do Wynand, da África do Sul, de um rapaz da Malásia, de algumas pessoas da China e Rússia, que perguntavam sobre a revista. Neste ponto, percebi da importância que nosso projeto pode alcançar a nível internacional com o advento da versão em inglês, pois muitas pessoas não conhecem o português e não temos tanta gente nos outros idiomas para poder ajudar na tradução para outros idiomas, sendo o inglês a porta para alcançar estas outras comunidades. Assim, temos duas vertentes fortíssimas, uma pelo espanhol, para todo o mercado hispânico, e o inglês, para o resto do planeta (q pode ramificar em outros idiomas). As possibilidades são IMENSAS!! Quem quiser, pode baixar e ver a apresentação.
Encerrei, agradeci a participação e fomos para mais uma rodada no restaurante universitário, com a típica comida chinêsa. Muita gente me pergunta sobre o tempero, o gosto da comida. Realmente é algo complicado de explicar. Para eles, o uso de sal é praticamente nulo, em minha opinião, preferindo muito ao gosto natural da comida. Os produtos típicos do almoço também são diferentes, e o principal tempero que usam é a pimenta (ou derivado), dando um gosto muito picante à comida. Ao sair do refeitório, vi uma cena curiosa. Michael Bemmer, Diretor de Engenharia do Star/OpenOffice.org da Sun Microsystems (direita) conversando com Michael Meeks, um dos mais controversos desenvolvedores do OpenOffice.org, da Novell (esquerda), conversando ao sol. Vale lembrar que Michael Meeks foi o principal idealizador do Go-OO - considerado por muitos como um fork do projeto OOo.
Voltando do almoço, não me aventurei em nenhuma palestra, mas sim, ficar conversando com o pessoal do lado de fora do prédio. Estavamos na roda Joost Andrae (Sun), André Schnabel (Alemanha), Sophie Gautier (França), Kálmán Szalai (Hungria) e um japonês que tem por hobbie ir aos OOoCons e joga capoeira. ;-) Ficamos conversando até a sessão de perguntas e respostas com o Conselho Geral do OpenOffice.org. Entre os assuntos discutidos, Joost voltou a me questionar porque não usamos o Bouncer, para sabermos mais sobre as descargas do BrOffice.org no Brasil. Comentei que entendia que o Bouncer simplesmente registrava a plataforma, versão do pacote e idioma. Não dava certeza sobre a descarga, se eu estava repetindo pela décima vez e coisas do gênero. Foi quando André interviu e comentou que realmente não tinha nada disto, e que era a briga de todas as outras comunidades. Expliquei-lhe que somente com nossos espelhos, que atualmente são o nosso servidor, Unicamp e Linorg, temos os mesmos dados e temos uma certeza maior dos pacotes baixados do que pelo Bouncer. Joost não teve como me contra-argumentar e também concordou sobre as dificuldades do sistema. Afinal, temos um BOM sistema de estatísticas. O que falta é GENTE para AJUDAR a trabalhar os dados, coisa que eu já não encontro mais tempo. Para escrever este artigo, verifiquei os dados em nossos espelhos e, contando apenas com a Unicamp e o BrOffice.org, temos mais de 750.000 pacotes baixados SOMENTE do BrOffice.org 3.0.
Depois, fomos todos para a sessão do Conselho Geral. Foi interessante ver a abertura para que as pessoas se interassem melhor do que se trata e que tinhamos varias pessoas, a metade da Sun Microsystems, como parte deste conselho. Enquanto que a sessão não iniciava, conversei com o responsável pelo Impress e Draw, com o notebook no colo, sobre os problemas que temos no Zine. Disto pode surgir um caso excente para envolver desenvolvedores brasileiros no projeto.
Por fim, com a disponibilidade para perguntas das pessoas, ficou realmente estranho pois praticamente não surgiram perguntas, pois parecia que quem estava ali SABIA das coisas. Eu mesmo, em vários momentos, recorri às páginas do projeto sobre o Concil, de forma que, quem perguntasse, era porque era novo ou realmente não buscou. Isto me fez lembrar nossa associação, o BrOffice.org - Projeto Brasil, que é algo bastante obscuro. Muitos pensam que trata-se de um grupo fechado, quando na verdade, era para mostrar o inverso. O pré-requisito, tanto aqui quanto no OOo, é que sejam membros da comunidade, que realmente sejam atuantes e colaboram, e que queiram se associar, bastando uma indicação de um membro da associação. Este é mais um ponto que temos que melhorar nas nossas páginas. De qualquer forma, foi ótimo poder ter conversado antes com a Sophie e André, pois tive uma visão ainda mais ampla do projeto.
E foi assim que encerramos mais um dia do OOoCon2008. Uma boa leitura e até o próximo.Claudio
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